O Desnecessário

Todo carnaval tem seu fim


Precisava de porres, precisava de festa, precisava de novos amores, fingia que esquecia o que jamais dormira no seu peito. Acordava e mentia, desenhava e mentia, continuava a mentir. Acreditava no inacreditável querendo tocar o infinito, e afirmava aos amigos que tudo estava bem, eram águas do passado e que tinha sido capaz de lamber as próprias feridas, mas não. É o começo do fim, mas ainda está longe, não se cura assim, so se finge.

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C.

1 year ago / 2 notes /
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Razão

Acreditava que a culpa era minha, não me dedicava, não cedia, queria ser racional quando o certo não era isso.Ouvi palavras que não gostava e me dei por esgotada antes mesmo de tentar mudar.
Dei a mim uma segunda chance, repensei a situação  com todos os fatores, como um professor de matemática, que reescreve problemas com diversas soluções.
Vi a minha solução, teria que me doar, me divertir, me libertar, esquecer a racionalidade, que insistia em me colocar no chão. Dei meu primeiro passo em direção ao que eu achava que ia ser uma mudança. No primeiro passo, me provaram que as pessoas raramente surpreendem e quase sempre decepcionam.
Nessa, a razão tinha razão.

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Atados

Fazia-se de forte, mas não aceitava o menor dos comentários. Gritava ao 4 ventos que comprometer-se era besteira, mas não aceitava a liberdade alheia. Não queria se prender a ninguém, mas queria todos atados a si.
Fingia liberdade, mas só queria se prender. Gostava dos exclusivismos baratos que sua mente criava, e não as verdades que seus ouvidos ouviam. Tinha medo das suas feridas e empurrava a poeira pra debaixo do tapete, mas eu estava ali para limpar a casa.

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C.

1 year ago / 6 notes /
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Sofia

Preciso que você volte.

Que você venha, sorrindo, me dizendo todas aquelas coisas de novo, enquanto tento me afastar em vão.

Preciso que você me abrace, dizendo que vai ficar tudo bem, que somos fortes e teremos nosso final feliz.

Preciso de todas aquelas coisas que saem da tua cabeça complicada, desse caleidoscópio. Da tua risada gostosa, daquelas tuas pintas no braço. Dos teus detalhes, todas as falhas, tudo o que minha cabeça conseguiu gravar.

Eu sempre quis que você lembrasse de mim. Mas às vezes acho que lembro por nós dois.

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R.

1 year ago / 1 note /
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No fundo.



Falava de si como a pessoa mais livre do mundo, e acabara de se prender.
Fingiu pra si mesma motivos que queria ignorar e pintou a história que queria ver.
Ninguém entenderia o motivo real daquela situação,
pois haviam muitas fotos e fatos diferentes.
No fundo era culpa e mais nada. Mentir pra si mesma que não, era afirmar o sim.

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C.

1 year ago / 1 note /
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Sem identidade

Elas são todas iguais.

Tão parecidas, a mesma essência, mesma aparência, às vezes acho que nem tem muito a oferecer.
Me dão medo por forçarem tanto, não me parecem reais. Querem tudo sem ter mérito algum, vão pelos cantos, “inocentes”, tentando chegar onde querem.

São descartáveis. Tanto nós quanto elas.

Somos parte de seu interesse e, quando já não precisam mais da gente, nos passam pra trás, em busca de algo que as leve ao topo.

E pra nós, elas não fazem falta. Passam despercebidas, como fantasmas que ninguém mais quer ver. São tratadas como copos de plástico, que eles usam e jogam fora sem culpa nenhuma. Porque sempre terão outras, do mesmo tipo.

A mesma essência, a mesma aparência, tão parecidas.

Elas são todas iguais.

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R.

1 year ago / 1 note /
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Descompasso



Poderia ficar ali parada, adimirando.
Amava-o por inteiro, do fio do cabelo ao dedão do pé.
Parava do lado dele afim de se medir,
e ver se ele era capaz de dar os netos altos, que sua mãe queria.
Gostava do sorriso bobo dele, ainda mais quando ela o causava.
Ria dos seus braços finos e de como poderia morar ali.
Ouvindo o coração dele batucar descompassado,
enquanto ela adormecia no seu peito.
Suspirava com a presença dele, sentia as pernas tremerem,
nunca tinha se sentido assim.
Tudo aquilo que ela pensou que era amor, agora se tornara mentira,
perante aquele que vinha esquentando seu coração de uma maneira
tão boa e verdadeira.

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C.

1 year ago / 3 notes /
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Ciclo



Era começo e era fim
Era morte e era vida
Não fazia nenhum sentido pra ela, nunca entendeu nada de nada da vida!
Mas estava adorando o jeito que a vida costurava os ciclos.
Vida essa que põe a gnt pra pensar, sofrer, se escabelar,
amar de novo
acordar e dormir
terminar e iniciar
e mudar.

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C.

1 year ago / 1 note /
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Máscaras



Havia abandonado sua essência por mil máscaras. Nenhuma daquelas iriam lhe servir, e os verdadeiros rostos que lhe amavam, só se distanciavam. Foi resgastada daquele poço no tempo certo. Voltava a ver os rostos que valiam a pena, algumas máscaras eram mais que isso, encontrara rosto nelas também.
Agora havia os rostos de sempre e mais alguns que havia descoberto neste caminho ao incerto. Mas as máscaras continuavam iguais, fingindo alegria.

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C.

1 year ago / 1 note /
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Inacabado

E quando me perdi, você nem fez questão de vir me procurar.

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R.

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